Grace Gianoukas Recebe

“Grace Gianoukas Recebe” é o mais novo projeto da Terça Insana Produções Artísticas, uma espécie de talk show teatral onde Grace Gianoukas recebe convidados, personagens, espíritos, encomendas, sustos e o público com muito bom humor ao lado de  Darwin Demarch,  Rita Murai e Eraldo Fontiny.

    Transformando o teatro em avião e o público em passageiros de um possível voo, o espetáculo entretém as pessoas fazendo uma reflexão bem-humorada sobre o país, enquanto a nave não decola.

     Neste espetáculo, Grace aborda as origens da corrupção no Brasil, o fundamentalismo crescente no país, uma reflexão bem humorada sobre as coisas que recebemos diariamente sem contestar devido à pressa contemporânea, recebe sua assistente de palco Sheila (Darwin Demarch) para novas aventuras, o quadro “infantil” da LILI (Eraldo Fontiny), tem de lidar com a ansiedade de uma passageira fumante inveterada (Rita Murai), recebe o Aedes aegypti, e entrevistados locais (podendo ser um entrevistado por dia, caso haja mais de uma apresentação na cidade). Tudo isso no jeito TERÇA INSANA de ser, abordando temas do nosso cotidiano sem perder o bom humor.

‘Hortance, A Velha”

Você não pode deixar de conhecer Hortance, a velha, uma mulher que transborda, que se derrama em lembranças guardadas dentro dela.

O monólogo interpretado brilhantemente pela bélica e poética Grace Gianoukas é um espetáculo necessário, essencial que coloca o dedo na ferida, os desejos sobre a mesa; que explode em delicadeza.

Hortance, a velha, é uma mulher empoderada, que não esconde o que sente, que é de propósito, que é de coragem, que traz na sua bagagem uma trajetória singular: Hortance, é a puta, é a cafetina, é a  filha, é a amiga, é anfitriã, é a própria luz da sua manhã, é poema em carne viva, é lasciva, apaixonante, solar.

Hortance não manda recado e nem tem medo de amar.

É uma mulher que dá alma a sua voz, que sempre deitou com quem quis sobre os seus lençóis.

Que me perdoem as belas, recatadas e do lar, mas Hortance, a velha, é de verdade sem ser vulgar.

É intensa, entregue, despudorada.

E Grace se apropria dessa dona de cabaré com potência, saliência e muita fé.

A direção inteligente, sofisticada, sensível, generosa e minimalista de Fred Mayrink, proporciona a atriz um dueto vivo entre o drama e humor.

E Grace deita e rola com a elegância, segurança e ousadia presente somente no DNA das grandes mulheres de teatro.

A exuberância está presente até na solidão decadente da protagonista.

O cenário de Juliana Carneiro é sublime, grandioso, requintado.

O figurino de Alessandra Barrios é costurado pela beleza das lembranças, é feito sob a medida do luxo e da luxúria.

A luz de Paulo Brakarz é quente como as melhores lembranças.

O texto de Gabriel Chalita é uma dança envolvente, provocante e sensorial.

Hortance é feminina, é feminista, é fêmea, é fatal.

Você não será o mesmo depois que conhecer e se reconhecer nessa velha.

Depois de atravessar e ser atravessado por esse tsunami humano.

Hortance está em cartaz até fevereiro no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, disposta a oferecer a alma do público, inspiração e orgasmos múltiplos pulsantes em seu baú de memórias, que provam definitivamente que mulheres ousadas, embriagadas de paixão e contraditórias, é que arrebatam um coração, é que fazem história.